Fundos de pensão voltam a bater metas no semestre

moedasDepois de um péssimo 2013, quando tiveram perdas contábeis bilionárias, os fundos de pensão conseguiram superar suas metas de rentabilidade no primeiro semestre graças ao bom desempenho da renda fixa, que foi a vilã do setor no ano passado. Cerca de 60% do patrimônio de R$ 640 bilhões das fundações estão aplicados em renda fixa, a maior parte em títulos do governo de prazos longos indexados à inflação. 

Levantamento da consultoria Mercer com sua carteira de clientes – 65 entidades com patrimônio de R$ 30 bilhões – mostra que o retorno mediano ficou em torno de 6% no primeiro semestre, ante uma meta de 5,85%. Segundo Raphael Santoro, da Mercer, as fundações com peso maior de renda fixa tiveram resultados ainda melhores. Entre as fundações clientes da consultoria Luz Engenharia, a maior parte de pequeno porte, o retorno médio foi de 7%. O patrimônio da amostra é de R$ 8,5 bilhões. 

O Valor procurou as maiores fundações do país, mas a maioria não quis comentar o desempenho de suas aplicações. Algumas informam o resultado dos investimentos em seus sites e é possível constatar que atingiram rentabilidades em torno de 7% de janeiro a junho, superior às suas metas, caso da Valia (6,59%), Fundação Cesp (6,28%), Forluz (7,68%) e Real Grandeza (8,02%). 

“O começo do ano ainda foi difícil, mas de fevereiro para cá o mercado de renda fixa mostrou uma recuperação, com a queda dos juros de longo prazo”, diz Jorge Simino, diretor da Fundação Cesp. Isso porque, quando a taxa de retorno do título cai, o valor do papel, que se move em direção contrária, sobe. “O semestre foi positivo em relação à meta atuarial e devemos fechar com um superávit na casa dos R$ 100 milhões”, prevê. 

A Abrapp, associação dos fundos de pensão, divulga trimestralmente a média da rentabilidade das fundações. O último dado, de dezembro, mostra que em 2013 o retorno médio foi de 3,28%, ante uma meta de 11,63%. A entidade estima que a perda contábil da carteira de papéis federais do setor tenha sido em torno de R$ 60 bilhões no ano. 

Renda fixa garante meta de fundos de pensão no semestre 

A maior parte dos fundos de pensão conseguiu bater suas metas de rentabilidade no primeiro semestre deste ano graças ao bom desempenho da renda fixa, que foi a vilã do setor em 2013. Cerca de 60% do patrimônio de R$ 640 bilhões das fundações estão aplicados em renda fixa, a maior parte em títulos do governo de prazos longos e indexados à inflação. 

Levantamento da consultoria Mercer em sua carteira de clientes – 65 entidades com patrimônio de R$ 30 bilhões – mostra que o retorno mediano ficou em torno de 6% no primeiro semestre, ante uma meta de retorno de 5,85%, equivalente a INPC mais 5,5%. Segundo Raphael Santoro, consultor de investimentos da Mercer, as fundações com peso maior de renda fixa tiveram resultados ainda melhores. As carteiras de renda fixa das fundações apresentaram rendimento mediano de 6,6% no período, enquanto na renda variável o retorno foi de 2,5%. 

Entre as fundações da carteira de clientes da consultoria Luz Engenharia, a maior parte de pequeno porte, o retorno médio foi de 7%. O patrimônio total da amostra é de R$ 8,5 bilhões. 

O Valor procurou as maiores fundações do país, mas a maioria não quis comentar o desempenho de suas aplicações. Algumas informam o resultado dos investimentos em seus sites e é possível constatar que atingiram rentabilidades em torno de 7% de janeiro a junho, superior às suas metas, caso da Valia (6,59%), da Fundação Cesp (6,28%), da Forluz (7,68%) e da Real Grandeza (8,02%). 

“O começo do ano ainda foi difícil, mas de fevereiro para cá o mercado de renda fixa mostrou uma recuperação, com a queda das taxas de juros de longo prazo”, diz Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp, fundo de pensão multipatrocinado por empresas de energia elétrica. Quando a taxa de retorno do título cai, o valor do papel, que se move em direção contrária, sobe. “O semestre foi positivo em relação à meta atuarial e devemos fechar com um superávit na casa dos R$ 100 milhões”, diz Simino. 

A Fundação Real Grandeza, dos funcionários de Furnas, tem colhido os frutos da queda dos juros de longo prazo. Quando a taxa da NTN-B de longo prazo bateu 7% no segundo semestre de 2013, a fundação aproveitou para comprar R$ 400 milhões desses papéis, melhorando o retorno e alongando a sua carteira de títulos públicos. “Tivemos um ganho expressivo, pois compramos títulos de 2050 a 7% e hoje a taxa [de juros futuros para este vencimento] é de 5,95%”, diz Eduardo Garcia, diretor de investimentos da Real Grandeza. 

A Abrapp, associação que reúne os fundos de pensão brasileiros, divulga trimestralmente a média da rentabilidade atingida pelas fundações. O último dado, porém, é de dezembro do ano passado. Em 2013, o retorno médio foi de 3,28%, ante uma meta de rentabilidade de 11,63% (INPC mais 5,5%). 

O mau desempenho de deveu, em grande parte, à volatilidade e às perdas com os títulos públicos, que sofreram forte desvalorização no ano passado depois que o Fed, banco central americano, sinalizou que poderia subir os juros. A Abrapp estima que a perda contábil da carteira de papéis federais do setor tenha sido em torno de R$ 60 bilhões no ano. Vale ressaltar que a conta é meramente contábil, pois os fundos não venderam os papéis, o que efetivaria o prejuízo. 

Foi justamente a valorização desses papéis que ajudou as fundações no primeiro semestre, motivada novamente pelo movimento do Fed, que sinalizou que a alta dos juros não deve ocorrer este ano. O IMA-B 5+, índice que reflete o desempenho de uma cesta de NTN-Bs com prazo maior ou igual a cinco anos, apresentou retorno de 11,16% no semestre, após terem registrado perdas de 17,07% em 2013. “As fundações têm conseguido recuperar um pouco do resultado do ano passado”, diz Maurício da Rocha Wanderley, coordenador da comissão técnica nacional de investimentos da Abrapp. 

Segundo Santoro, da Mercer, a recuperação do valor dos títulos ainda não foi suficiente para “limpar” o retrato quando se avalia os últimos 12 meses, mas “dá um fôlego para a entidade quando se olha o horizonte de longo prazo”, diz. Segundo ele, mesmo com o resultado ruim do ano passado, o IMA-B 5+ em 36 meses apresenta um retorno anualizado de 11,7%. “A volatilidade é grande, mas é um risco que tem se pagado”, diz Santoro. Ele faz o comparativo com o CDI, que em 36 meses tem resultado anualizado de 9,15%, para mostrar que num horizonte de tempo mais dilatado, papéis de longo prazo têm compensado o investimento. 

As fundações não fizeram mudanças relevantes em seus investimentos neste ano, segundo Cecilia Harumi, consultora da Luz Engenharia. Os gestores estão bastante cautelosos com o cenário econômico, principalmente por conta das eleições. “As fundações estão usando estratégias mais para defender seu patrimônio”, diz Maria Paula Cicogna, consultora da Luz. 

Na renda variável, o desempenho é positivo, mas longe das metas das fundações. A maioria dos fundos de pensão usa como referência o IBR-X, em vez do Ibovespa. Santoro lembra, porém, que com a mudança de metodologia do principal índice da bolsa brasileira neste ano, os dois indicadores ficaram bastante parecidos. No primeiro semestre o Ibovespa apresentou retorno de 3,22% e o IBR-X, de 3,01%. “Contra uma renda fixa com resultado superior a 6%, a renda variável continua puxando a rentabilidade para baixo”, diz Santoro. Segundo ele, o IBR-X tem entregado um retorno anualizado de 1,87% nos últimos três anos. 

Com um resultado ruim nos últimos anos, o peso da renda variável no patrimônio do setor tem diminuído. Após ter atingido 37% dos investimentos em 2007, fechou 2013 em 29%. No entanto, excluindo as grandes fundações – que têm uma parcela grande aplicada em ações – o percentual cai para cerca de 11%. 

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e o maior do país, aplica ao redor de 70% dos ativos em ações. O maior plano da entidade atingiu retorno de 0,45% no primeiro trimestre, último dado disponível em seu site, ante meta de 3,36% no período. Como a bolsa teve um desempenho melhor no segundo trimestre, o resultado da fundação no semestre deve ter sido melhor. Procurada, a Previ informou que preferia não comentar desempenhos de curto prazo, uma vez que a fundação tem objetivos de longo prazo. 

Ainda entre as maiores fundações, Petros (da Petrobras) e Funcef (da Caixa Econômica Federal) também não quiseram comentar os resultados do semestre e não informam em seu sites abertos o retorno das aplicações no período. 

Fundações diversificam e compram ações no exterior 

Com a bolsa brasileira vacilante nos últimos anos, os fundos de pensão começaram a diversificar sua carteira de ações no exterior. Após as grandes fundações terem dado o primeiro passo nessa direção no começo deste ano, agora as entidades de menor porte começam a fazer o mesmo movimento. 

“A medida que esse primeiro investimento andar bem, as outras fundações se sentem mais confortáveis para propor aos seus conselhos”, diz Carlos Takahashi, diretor-presidente da BB DTVM, que administra quatro fundos de investimentos locais que aplicam em carteiras no exterior de quatro gestoras: BlackRock, Franklin Templeton, J.P. Morgan e Schroders. 

É o caso da Faelba, fundação da Coelba, que após seis meses de análise aplicou R$ 4 milhões de seu patrimônio, de cerca de R$ 1,4 bilhão, em dois fundos que investem no exterior, um gerido pela BlackRock e outro pelo HSBC. “É um valor modesto em relação ao nosso patrimônio para aprendermos e saber como funciona”, diz Francisco Artur de Lima Moacyr, diretor financeiro da Faelba. 

Segundo John Troiano, chefe de negócios institucionais global da Schroders, os fundos de médio porte podem aplicar lá fora um percentual maior de seu patrimônio, em comparação aos grandes fundos de pensão, sem ficar desenquadrados. A regulamentação brasileira determina que as fundações acessem os mercados externos por meio de um fundo local do qual não tenham mais de 25% do patrimônio. Dessa maneira, apesar de poderem aplicar até 10% do patrimônio no exterior, as fundações de maior porte acabam tendo mais dificuldade de fazer isso sem se desenquadrar. 

A Schroders percebeu o aumento da procura por pequenos e médios fundos de pensão interessados em investir lá fora. Segundo Troiano, comparada à experiência de fundos de pensão de outros países, os brasileiros têm um bom caminho a percorrer. “Nos Estados Unidos, que têm um grande mercado de capitais, os fundos de pensão investem 25% do patrimônio no exterior. No Chile, esse percentual é de 40% e no Reino Unido, de 35%.” 

Com o aumento da procura, a oferta de fundos também tem crescido. A Votorantim Asset Management (VAM) fechou uma parceria com a Allianz Global Investors, empresa “irmã” da Pimco, para distribuir os fundos da gestora no Brasil. Já a SulAmérica Investimentos se associou a Pantheon para oferecer fundos que investem em participação de empresas fora do país (private equity).  

(Thais Folego – Valor Online)