O que Aposentados e Pensionistas da FRG realizaram juntos ao longo destes 30 anos

Furnas criou a Fundação Real Grandeza, em 1972, prometendo proporcionar aos empregados uma aposentadoria com o mesmo valor dos salários da ativa. Porém, em meados da década de 80 já havia distorções nas aposentadorias. Furnas não cumprira seu compromisso.

Ao mesmo tempo, os aposentados tinham saudades do convívio com os colegas e sentiam-se um pouco deslocados no mundo: haviam passado dentro da empresa quase toda a sua vida profissional.

Este era o cenário quando Geraldo Moreira convidou Anísio Alegria, ex-Diretor de Benefícios da Real Grandeza, para conversar sobre a criação de uma Associação que promovesse a integração dos aposentados de Furnas e que defendesse seus direitos e interesses. Obtiveram a adesão imediata de Hélio Maurício de Almeida, começaram a criar o primeiro Estatuto.

Geraldo Moreira

Geraldo Moreira

Hélio Maurício de Almeida

Hélio Maurício de Almeida

Anísio Alegria

Anísio Alegria

Em abril de 1984, um grupo de interessados enviou uma carta aos aposentados, convidando-os a se unirem ao Movimento Após-Furnas. E em 12 de setembro de 1984, uma Assembleia Geral constituiu a Associação dos Aposentados de Furnas.

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A adesão inicial foi pequena – os aposentados relutavam em enfrentar a empresa, à qual se sentiam tão gratos. Mas o apoio de John Cotrim, parabenizando Hélio Maurício de Almeida por sua eleição como primeiro presidente da entidade, incrementou o entusiasmo dos pioneiros.

As primeiras lutas foram pelo reajuste na complementação e pela inclusão dos aposentados no atendimento de saúde de Furnas.

Quando Geraldo Moreira foi eleito para a presidência, a Associação já era sólida e reconhecida como representante dos aposentados, tendo ganhado o direito de indicar um membro para o Conselho de Curadores da Real Grandeza. Entretanto, essa representação poderia ter sido apenas simbólica, já que os conselheiros indicados por Furnas eram em maior número. Mas Murillo Paes Leme (o primeiro curador representante dos aposentados) era muito bem preparado, e contava com o suporte de grupos de trabalho que estudavam as questões para subsidiar sua atuação.

Com Geraldo fazendo gestões na esfera administrativa e Murillo atuando no centro de decisões da Fundação, a Após-Furnas obteve sua primeira grande vitória: o reajuste dos benefícios.

Isso fortaleceu a Associação para enfrentar as futuras lutas.

Quando Murillo assumiu a presidência da Após-Furnas, o reajuste passou a ser prioridade. Nessa época, a Associação orientou os associados a entrarem na Justiça para exigir a paridade de suas aposentadorias com os salários da ativa. Também incentivou a cobrar do INSS a correção da aposentadoria pelo Salário Mínimo.

Foi nessa época que os aposentados ganharam direito a eleger um membro da Diretoria da Real Grandeza.

A gestão de Alzira Silva de Souza foi marcada pela defesa da FRG, com uma ação da Após-Furnas que proibia a Fundação de comprar moedas podres, como queria o Governo Federal. No campo político, denunciou o débito das patrocinadoras e entrou com uma ação contra o Plano Especial, que aumentou em 300% a contribuição dos aposentados.

Nessa gestão foram criadas a Diretoria Social e as representações regionais.

Adilson de Pinho Chibante era o presidente quando Furnas entrou no Programa Nacional de Desestatização. Com o apoio da antecessora Alzira – agora no Conselho da FRG – Chibante conduziu uma forte ação política e jurídica, com estratégias diversificadas, que culminou com uma liminar concedida pela 28ª Vara Federal, que paralisou o processo de privatização da empresa.

A Após-Furnas também fez uma intensa campanha contra a migração dos aposentados para um Plano chamado de Saldado que, na prática, cobraria uma contribuição de 10% do benefício mensal dos assistidos.

Em meio a isso tudo, a Associação adquiriu sua Sede Social.

Nessa época, o PLAMES se tornara inviável para muitos aposentados: cerca de 300 haviam se desligado e já não ti­nham nenhum plano de saúde. Foi esta realidade que Sebastião Mat­tos encontrou ao assumir a a presidência. Sebastião colocou o Plano de Saúde em pauta de discussões permanentes e contratou o serviço das técnicas previdenciárias que até hoje atendem os associados.

No mandato de Tania Vera Vicente, a Após-Furnas liderou uma formidável reação contra ataques de políticos que queriam impor nomes a cargos de Diretoria na FRG. Também impetrou ações para corrigir os balanços de Furnas e da Eletrobras.

A passagem de Yoná Moreira na Após-Furnas foi marcada pelo acordo do Projeto de Sustenta­bilidade da Nova Gestão da Real Grandeza, que reuniu 19 sindicatos e associações, e os administradores de Furnas e da Eletronuclear. Também levou a questão do PLAMES para o âmbito da Eletrobras.

Oldegar Sapucaia combateu com ações as tentativas da empresa de fazer os assistidos do plano BD pagarem as despesas administrativas.

Na gestão de Alfredo Alves, o atendimento de saúde para os assistidos ganhou prioridade e a Associação liderou um movimento de aposentados para pressionar a empresa por uma solução. Essa pressão resultou numa promessa do presidente de Furnas, Flávio Decat, de transferir para a Fundação a administração integral do Plano de Saúde até maio do ano seguinte.

Essa transferência ocorreu no prazo previsto, porém com um tal número de problemas, que coube ao presidente seguinte, Humberto Costa, pressionar por soluções ao mesmo tempo em que acalmava os ânimos dos usuários insatisfeitos. Nesse meio tempo, duas lutas antigas chegaram a bom termo: a sentença que confirmou a liminar de 1999 que impediu a privatização de Furnas; e a recuperação do percentual de contribuição dos aposentados ao custeio do Plano BD, que voltou a ser de 1/3, após 20 anos de luta.

Esta História não acaba aqui: continua no futuro, pelas mãos dos associados.


Anal