Maria Irene, uma pioneira apaixonada

Maria Irene, uma pioneira apaixonada

A história de Maria Irene se confunde com a de Paulo Hermínio Costa, que se confunde com a de Furnas. Foi ela quem disse ao engenheiro insatisfeito com o emprego: “Vai lá em São Paulo, veja esse emprego em Furnas”. Ele contava ao entrar na sala da companhia, viu o Dr. John Cotrim sozinho, escrevendo alguma coisa, e antes mesmo de levantar os olhos, disse “Está contratado!” Diante do espanto de Paulo Hermínio, Dr. Cotrim perguntou: “Você não é engenheiro?” “Sou.” “Então: está contratado.”

O casal se mudou com as duas fi­lhas para o canteiro de obras on­de seria erguida a Usina de Furnas.

“Eu morava em Catanduva-SP, e meu pai já conhecia o Paulo de um curso no Rio. Um dia ele aparece lá na cidade, para fazer um trabalho na companhia telefônica local e foi visitar meu pai. Era uma época em que o leite, o pão, as verduras eram entregues em casa. Quando ele bateu na porta, vim lá de dentro com a sacola na mão, pensando que era o verdureiro. Abri a porta com força já dizendo ‘pode botar tudo aí’… quase acertei o rosto dele. Achei bonito aquele moço gordinho, vermelho do calor, que perguntava sobre meu pai.”

“De tarde, fui incumbida de mostrar a cidade pra ele. Caminhamos por tudo, eu falando, mostrando isso, mostrando aquilo. Uma hora a gente caminha por uma calçada, ele me parou, me chamou para junto da parede. Eu pensei: se ele quiser me beijar, dou um tapa na cara dele, mas ele disse: ‘Eu te amei no momento que você abriu a porta. Você casa comigo? Mas fique sabendo que se você me negar, nunca mais vai me ver.’ Eu tinha gostado dele, sabe? Aceitei, no mesmo dia que conheci ele, e ficamos juntos a vida toda.”

“Na vila de Furnas havia só um grupo de dez casas. Fomos morar na primeira, do lado esquerdo”, conta. “Os candangos, gente mui­to simples que trabalhava na construção da usina, adoravam o Paulo. E eu fazia a minha parte: convidava um ou outro que passava para um café com bolo e uma prosa, e ia mostrando que ali éramos todos iguais.”

Irene lembra que mensalmente os engenheiros e ou­tros funcionários graduados iam a Pas­sos para uma confraternização, e que Pau­lo Her­mínio fez com que os operários também fossem confraternizar.

“Quando o Jusceli­no foi lá inaugurar a usina, eu falei pra minha filha me­nor: vai lá e agarra o moço, que é bonito e é presidente do Brasil. Ele riu e abraçou a mi­nha filha,” conta.

Depois disso, Paulo Hermínio foi transferido para Alfenas, o que causou comoção entre os candangos. “Eu sou empregado da companhia, dizia ele, tenho que ir para onde ela mandar,” conta Maria Irene, com lágrimas nos olhos. “Mas eu também tive pena de sair de lá. Foi a época mais feliz da minha vida.”

Irene é feliz, é um exemplo de vitalidade e de bom humor: gosta de contar piadas, vai a todas as festas que pode, canta no Coral da Após-Furnas. Foi ainda mais feliz com Paulo Hermínio, e não perde a chance de declarar seu amor pelo parceiro de quase 60 anos de casamento. “Na véspera de falecer, ele me chamou e disse: ‘Nunca saia de Furnas, foi lá que fomos mais felizes em nossa vida’,” relata ela.

Para Irene, talvez mais do que qualquer outra pessoa, a Após-Furnas é a continuação dessa empresa que ela tanto amou. O lugar onde ela é feliz hoje em dia.

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