A História da APÓS-FURNAS

A História da APÓS-FURNAS

Uma narrativa pessoal de Yoná Maria de Lima Moreira, esposa do fundador, Geraldo Moreira, e ex-Presidente da Associação.


GERALDO MOREIRA DE OLIVEIRA, sentado na sala de sua casa, sonhava em um dia criar uma associação de aposentados e pensionistas. Convocou seu grande amigo Anysio Alegria para trocar ideias e ele se entusiasmou tanto que logo começou a redigir o primeiro estatuto. A partir daí, Geraldo começou a fazer contato com os Diretores de Furnas, que logo aprovaram a ideia, à exceção de apenas um Diretor que não apoiou a ideia.

Logo informou aos aposentados o que pretendiam fazer. Geraldo foi logo para a Fundação para tentar obter nome e endereços dos aposentados e pensionistas para convidá-los a participar da criação da Associação.

Dinheiro para as primeiras providencias não havia. Geraldo então obteve na Fundação um empréstimo pessoal, em seu nome, para dar início às providencias concretas para a criação da APÓS FURNAS, nome que prevaleceu depois de debates entre várias sugestões. Na Fundação. João Francisco Montalvão, Assistente da Diretoria, ofereceu toda solidariedade à causa dos aposentados desbravadores, oferecendo mesas e cadeiras.

Nesta altura, Hélio Mauricio apareceu e se encarregou de trabalhar a nova versão do Estatuto e dos documentos da criação da Associação. Como não havia local para se reunirem, Hélio Mauricio colocava as pastas da APÓS FURNAS embaixo do braço e saia, embora tivesse o oferecimento da Cecremef – Cooperativa dos empregados de Furnas e Eletronuclear – de um lugar para se reunirem.

Foi dado início à real existência da APÓS FURNAS. O emblema foi outra discussão sobre as diversas hipóteses até que chegaram à denominação de hoje: APÓS FURNAS escolha de consenso. Para a elaboração do emblema da associação pensou-se logo no Castelo, querido desenhista aposentado, que prontamente idealizou e caracterizou a marca.

Imediatamente, retornaram os convidados com o desejo de participar da Associação. Queriam informações sobre, conhecer e logo pediram cópia do estatuto.

Algumas congêneres surgiram logo depois da criação da APÓS FURNAS, como a Após Vale – da Vale do rio Doce. Depois disso surgiram novas Associações de aposentados, uma da Eletrobrás, outra na Bahia da Eletronorte.

Como não havia local para se reunirem, Geraldo negociou e obteve com o Dr. Natércio Pereira, então Diretor de Administração de Furnas que, autorizou a cessão de uma sala do anexo II que mais tarde foi ampliado para mais uma outra sala e assim sucessivamente, toda prestação de serviços de apoio, água, luz e telefone.

E assim, prosseguiam os trabalhos. Como não havia dinheiro para pagar pessoal administrativo, todos que chegavam para trabalhar o faziam absolutamente por amor à causa.

D. Marilia Esteves foi o baluarte dos primeiros colaboradores. Era encarregada de organizar o cadastro.Como não havia dinheiro para compra de computadores, José Carlos Cosme Pinto, aposentado que morava em Petrópolis, trazia de casa um computador pequeno e tudo era feito manualmente.

D. Marilia foi incansável, gratuitamente, chegava diariamente às nove da manhã e só saia entre seis e sete da noite.

As primeiras reinvindicações foram sendo atendidas tanto pela Fundação como por Furnas. Como por exemplo foi franqueado o uso do restaurante pelos aposentados a preços subsidiados.

Reuniões semanais e mensais eram alternadas com a Diretoria da Fundação e de Furnas. Tudo corria muito bem até que surgiram as primeiras desigualdades e a queda no valor dos benefícios. Beneficio inicial defasado na Fundação e no INSS.

Nos idos dos anos 80, esgotadas as negações, surgiu a necessidade de se buscar um árbitro que, no caso, foi a Justiça do Trabalho para os benefícios da Fundação e a Justiça Federal para os benefícios do INSS.

Desejosos de se filiarem Após-Furnas, chegaram os novos sócios que não cansavam de nos procurar. Prosseguiam nossas reuniões com a Fundação e assim íamos trabalhando harmonicamente.

Não podemos de registrar a manifesta colaboração do Cel. Borges Fortes, então Diretor de Suprimentos, que fez questão de prestar a sua solidariedade, como também o Dr. Licínio Seabra, então presidente de Furnas, trazendo inclusive colaboração. Outra presença marcante foi de nosso colega Alfredo Alves, que esteve sempre conosco e sempre nos ajudou, cuidando inclusive do suporte da Patrocinadora.

Não houve ninguém que viesse ajudar por interesse pessoal. Tudo feito desinteressadamente: ajuda aos seus semelhantes era o lema da APÓS FURNAS. Importante registrar que continuavam as lutas por novos caminhos.

Assim que Geraldo negociou com Dr. Natércio Pereira, Diretor de Administração, a participação de aposentados como convidados nas reuniões do Conselho de Curadores da Fundação Real Grandeza. Dr. Natércio logo aquiesceu e assim foi feito, os aposentados passaram a ser convidados para as reuniões. Mas, nós queríamos participar como membros efetivos com direito a voz e voto. Era preciso alterar o estatuto para que os aposentados fossem acolhidos. Isto foi conseguido e após a alteração do estatuto os aposentados passaram a ser representados no Conselho de Curadores da Fundação Real Grandeza.

Inicialmente, eram seus Representantes o Presidente e o Vice-Presidente da Após-Furnas. Mais tarde surgiu a ideia de serem eleitos os representantes, como até hoje vigora.

Enquanto isso, várias questões continuavam a ser levadas à Fundação e à Furnas.

Com o surgimento do Plames – que inicialmente era destinado somente aos empregados da ativa – veio à tona uma nova reivindicação, que foi levada à Comissão que estava organizando o Plames. Obtivemos então autorização para que os aposentados participassem do Plames como beneficiários. Por tudo isso, é que hoje nós podemos participar dos benefícios do Plames.

O jornal que hoje é o “ELO” surgiu com a colaboração de cada um gratuitamente. Geral levava para casa as matérias que iriam constituir o jornal, que tinha que ser noticioso e rápido. Em casa mesmo, Geraldo datilografava toda a matéria que seria impressa. A seguir, o Paulo Hermínio que era encarregado de encontrar uma copiadora (pois não tínhamos computador) para obter as cópias que seriam distribuídas. Tudo artesanal, mas feito com muito amor. Paulo Hermínio, Paulo Teixeira, Duque Estrada, Djanir, Sérgio Pacheco foram incansáveis na luta. Quando se precisava de um nome para uma tarefa, uma representação, estavam os mesmos prontos para servir, sem nenhum interesse pessoal, somente o de servir ao próximo.

Novas diretorias foram se sucedendo no APÓS FURNAS, e agora nós assistimos à distância o sucesso dos demais pioneiros e de outros associados.

Geraldo sonhava que poderia ajudar aos mais pobres, os menos favorecidos pela sorte. Estava sempre à procura de um novo caminho que pudesse concretizar em efetiva ajuda aos que mais precisavam.

 

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